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Quarta-Feira 23 de Abril de 2014
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Ipea estuda perfil da pirataria online
O Ipea lançou o Comunicado 147 – Download de músicas e filmes no Brasil: Um perfil dos piratas online, na sede do Instituto, em Brasília.
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Luis Claudio Kubota, coordenador de Serviços da Diset/Ipea, que participou da apresentação, afirmou que quanto maior o custo de certo produto de mídia, a tendência é de aumento de usuários que recorrerão para vias alternativas, ou seja, a pirataria. Do contrário, quanto menos oneroso o produto, maior o consumo legal.
 
Para a pesquisa, quem baixou e não comprou determinado arquivo de música ou filme, foi considerado pirata, portanto, dos 10,6 milhões de baixadores pesquisados, 81% (8,62 milhões) foram considerados piratas, o que corresponde a um total de 41% do total de pessoas que usam a internet, para baixar conteúdos ou não (68 milhões ao todo). Os dados são da Pesquisa TIC Domicílios de 2010, do Comitê Gestor de Internet (CIG), disponibilizada por meio de cooperação entre as duas entidades.
 
A preponderância para os downloads considerados piratas são das pessoas pertencentes a classes sociais mais baixas, jovens entre 15 e 20 anos, e com menor escolaridade. Rodrigo Abdalla, técnico de Planejamento e Pesquisa que também participou do estudo e da apresentação, explicou que as classes D e E baixam mais de forma ilegal por “limitação de renda e falta de conhecimento das sanções das leis”.
 
Contribuições
 
Pouco mais de 500 municípios no Brasil têm salas de cinema. Como os filmes demoram semanas ou meses para serem disponibilizados em DVD ou Bluray após o fim da exibição nos cinemas, durante esse intervalo as pessoas não tem muita opção de acesso à uma cópia legal do filme. Precisam esperar uu fazer uma viagem para uma cidade onde tenha cinema. Esse é um dos fatores que muito colaboram para a procura de downloads ilegais.
 
“Antigamente, a reprodução implicava em perda da qualidade e os custos de distribuição eram altos. Agora, a cópia e a distribuição têm custo marginal de praticamente zero. Hoje é muito fácil disponibilizar volume muito grande de informações para grande quantidade de pessoas”, disse Kubota.
 
Para ele, duas tendências se formam para o futuro: a computação em nuvem, ou seja, as informações e arquivos dos usuários ficaram dispostos apenas em um servidor, e a outra é a ubiquidade: arquivos disponíveis em nuvem e aplicáveis em qualquer dispositivo. Isso fará com que a difusão de músicas e filmes seja muito mais líquida do que é hoje.
 
Debate
 
Existe um debate acalorado em grande parte do mundo: de um lado as produtoras, gravadoras e estúdios, e do outro os ativistas da internet e empresas de distribuição, como o YouTube. Várias legislações estão sendo discutidas em muitos países, para endurecer o tratamento à pirataria, porém a mobilização popular desses ativistas têm prorrogado decisões e feito legisladores de muitos países verem a necessidade de se debater o tema mais profundamente.



Publicado em:
14/05/2012
Fonte: IPEA
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