Cuiabá, Mato Grosso
Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010

Hospital Geral Universitário, em Cuiabá, pode fechar as portas
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O hospital Geral Universitário (HGU) poderá fechar as portas se a rede pública de saúde de Cuiabá não pagar a dívida de mais de R$ 7,5 milhões, acumulada desde janeiro de 2008. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, o diretor geral do HGU, Vander Fernandes, informou que o hospital pode parar com o atendimento pelo SUS, não só por conta da divida, mas por estarem operando apenas com 50% da capacidade de serviços de média e alta complexidade. Ele lembrou que um agravante da situação é que alguns dos serviços são oferecidos apenas pelo HGU.

“Apesar da estrutura estar presente e termos condições de fazer cirurgias e exames de alta complexidade, a Secretaria Municipal de Cuiabá alega falta de recursos para compra dos serviços”, contou o diretor.

O presidente da CPI da Saúde, deputado Sergio Ricardo (PR), pleiteia no Governo do Estado a recontratação do HGU e que a Prefeitura de Cuiabá priorize o HGU e o Hospital Universitário Julio Müller na contratação de serviços. “Seria a medida mais correta para acabar com o sofrimento de tanta gente que vem morrendo a espera de atendimento médico”, disse.

Atualmente o HGU possui 212 leitos, sendo apenas 16 destinados para pacientes particulares. Todo o restante poderia ser ocupado pelos pacientes do SUS e assim, desafogar a fila de espera para cirurgias e exames. Hoje, 100 mil pacientes de Cuiabá e do interior de Mato Grosso estão na espera. Ainda segundo Fernandes, a falta de uma gestão organizada da rede de saúde da capital dificulta entender o porquê da falta de recursos, pois houve um aumento do teto da saúde repassado pela União. O valor subiu de 4,7 milhões em 2005 para R$ 8 milhões em 2009.

Um dos problemas apontados pelo diretor do HGU, durante seu depoimento ao presidente da CPI da Saúde, é o percentual grande de contratação de serviços da rede não habilitada pela Prefeitura de Cuiabá. Ou seja, a regra oficial do Ministério da Saúde é que o gestor dê prioridade para contratar serviços, primeiro, nos hospitais públicos e em seguida nos hospitais filantrópicos. Se não houver serviços suficientes nesta rede é possível contratar a rede particular de hospitais e laboratórios. “Quando você pulveriza a contratação em diversas instituições impede a reestruturação destas unidades e aí as públicas e filantrópicas não sobrevivem, pois não vamos conseguir investir se apesar de ter alta demanda e ter os serviços, o gestor não os contrata. Por isso vamos ter que fechar as portas assim como já ocorreu com outros hospitais aqui em Cuiabá”, conclui.

Ao comentar sobre um dos objetivos da CPI da Saúde – o de acabar com as filas de espera para cirurgias e exames - o diretor do UGH garantiu ao presidente da CPI, deputado Sergio Ricardo que é possível reduzir consideravelmente as filas para cirurgias oftalmológicas, cardíaca, neurológicas, eletivas e ortopédicas. “Garanto que apenas no HGU podemos nos comprometer em fazer estas cirurgias, desde que, devidamente acordado com Estado e municípios, mas é preciso envolver todos os prestadores autorizados na rede de saúde da capital “, afirmou.



Publicado em:
04/02/2010
Fonte: Josana Sales
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